Junho, 2020 — Num período marcado por incertezas e dificuldades em que o impacto provocado pela Covid-19 ainda não é completamente mensurável, é necessário abordar a gestão das empresas com uma perspetiva, não só ponderada e sensata, mas também esperançosa e confiante.
O novo vírus da estirpe corona SARS-CoV-2 causador da pandemia Covid-19 fez muito mais que atacar a saúde das pessoas, atacando a saúde das economias e estruturas financeiras a nível mundial. Apesar dos impactos desta pandemia na economia e no tecido empresarial ainda não poderem ser medidos e contabilizados de maneira absoluta, não restam dúvidas, que têm sido violentos e que se têm feito sentir de uma maneira generalizada na maioria dos sectores.
Apesar do impacto da pandemia e as consequências decorrentes variarem de país para país prevê-se que irá aumentar a pobreza e as desigualdades sociais a uma escala global. Assim, uma resposta socioeconómica a esta crise durante os próximos 12 meses é fundamental para mitigar os efeitos devastadores da Covid-19, seja na sobrecarga e esforço irrazoável nos sistemas de saúde e de segurança social, seja na recuperação dos inúmeros empregos perdidos como consequência das insolvências e enfraquecimento das empresas que as forçaram a despedir e reduzir a sua força de trabalho, seja ainda, nas consequências que advêm das primeiras, como perda de rendimento das famílias e tensões socioeconómicas.
No contexto nacional, Portugal, um dos países cujo as receitas provenientes do sector viagens e turismo representa historicamente cerca de 8% do PIB, foi altamente afetado pela pandemia tendo o canal HORECA e as respetivas unidades hoteleiras e de restauração sofrido prejuízos nunca antes vistos. Também na indústria, especialmente a têxtil e a do calçado, a pandemia mostrou-se mortífera tendo empurrado várias empresas para situações de insolvência e falência técnica. Sabendo que as vendas de vestuário registaram fortes reduções, a indústria têxtil não consegue captar encomendas. Muitas empresas, para sobreviver, focaram-se na produção de máscaras. Surge assim, uma necessidade, de repensar e reinventar este e muitos outros sectores e equacionar o futuro neste novo normal.
Nas fusões e aquisições, a pandemia fez-se sentir desde cedo, tendo deitado por terra vários negócios que vinham a ser preparados e equacionados. O medo incutido nos investidores pelos efeitos pandémicos aliado ao facto de muitas empresas se terem focado na necessidade de recuperação e de lidar com essa ameaça fez abrandar o ritmo neste sector. No entanto, como em qualquer outro momento da história marcado por crises, estas vêm disromper o mercado e o tecido empresarial, marcando assim esse momento, como um de oportunidade para a indústria de M&A. A curto prazo, a partir da segunda metade do ano de 2020 é esperado que as transações de M&A liderem e imprimam ritmo na fase da recuperação desta crise. Assim, seja através de uma estratégia defensiva que vise proteger e acautelar o futuro da empresa, ou através de uma estratégia ofensiva que vise estimular o crescimento e despertar uma transformação do modelo de negócio é esperado um retomar sério da atividade de fusões e aquisições. Paralelamente, assistiremos também a restruturações e aumentos de capital como soluções-chave para salvar negócios em risco. Apesar de todos os efeitos negativos e devastadores na economia e sociedade provocados pela Covid-19 acreditamos que o universo M&A irá registar uma rápida e exponencial recuperação.