Outubro, 2020 — A nova realidade marcada pela pandemia, veio forçar a uma adaptação e reorganização da força de trabalho para fazer frente aos novos desafios e limitações impostos, nomeadamente na aposta do teletrabalho, como estratégia promotora do distanciamento social no local de trabalho. Assim, de um momento para o outro, os trabalhadores trocaram os escritórios pelas suas casas e foram forçados a uma adaptação relâmpago para garantir a produtividade esperada e a continuidade no desempenho das suas funções. Muitos de nós, tivemos que nos familiarizar com plataformas com o Zoom, o Microsoft Teams e o Google Meet, e isto tudo num espaço de dias. Portanto, mesmo antes de a pandemia fazer sentir os seus verdadeiros impactos já nós nos entregávamos a mudanças extremas na nossa rotina, horários e modos.
É necessário proceder a uma análise às novas dinâmicas de trabalho provocadas pela pandemia. Se, pelo menos em Portugal, o teletrabalho parecia uma realidade distante e longe de ter uma aplicação relevante, um dos benefícios da crise da Covid-19 foi ter promovido o recurso a esta modalidade que assim acelerou a sua implementação no contexto português. As empresas retiram vantagens económicas claras do teletrabalho, em primeiro lugar uma redução dos custos físicos de ter todos os trabalhadores concentrados num espaço, como a eletricidade e água consumidas, etc. Em segundo lugar, o teletrabalho veio permitir que as empresas prescindam de espaços físicos megalómanos para alocar todos os seus funcionários, podendo mudar para sítios mais pequenos que garantam o espaço necessário às reuniões presenciais e outros eventos que não mereçam a reunião virtual. Por outro lado, e na perspetiva dos trabalhadores, estes ganham tempo útil que dantes se viam forçados a perder no trânsito e outras rotinas pré-trabalho, e também a poupança, que decorre de não ter que aderir a essas rotinas, que não é afetada pelo maior consumo de energia doméstica por trabalhar em casa. É ingénuo afirmar que a realidade do teletrabalho só se traduz em vantagens, até porque está mais que provado que a separação trabalho-vida pessoal particularizada por haver espaços próprios para as duas é mais que benéfica, mas é claro que ponderadas as coisas e remetendo para os argumentos supra, o teletrabalho pode-se afirmar como uma opção vantajosa tanto para os trabalhadores como para as entidades patronais.