A crise económica provocada pela pandemia originada pelo vírus SARS CoV-2, é distinta das outras que neste milénio se fizeram sentir, pelo facto, de ser a primeira crise, que afeta de maneira generalizada, tanto a oferta como a procura de bens e serviços. Se devido às restrições produtivas decorrentes dos lay-off´s e teletrabalho, a produção de bem e serviços caiu abruptamente. Por outro lado, as limitações estabelecidas às pessoas, nomeadamente os confinamentos, servem como um desincentivo e muitas vezes como um impedimento ao consumo. Assim tanto a oferta como a procura sofrem perturbações criando-se uma disrupção da economia.
Soluções foram encontradas para aliviar tanto o choque na oferta como na procura. Para combater estes choques, medidas como as linhas de apoio à economia, moratórias e o sistema de lay-off foram postas em ação, para assim permitir às empresas que reduzam os seus custos a curto-prazo e não esgotem as suas reservas de liquidez. Os Estados e a U.E. serviram-se também da política orçamental e monetária (duas políticas macroeconómicas) para mitigar as já referidas contrações.
Onde podemos sentir de uma forma mais concreta o impacto da pandemia, é na contração histórica do PIB registada no segundo trimestre do ano, período este coincidente com o Estado de Emergência e época de confinamento. Assim, face ao período homólogo do ano transato o PIB nacional registou uma contração de cerca de 16,3%, uma variação sem precedentes no contexto nacional.
Sendo Portugal, um país cuja economia é altamente dependente do turismo, surge acima da média da Zona Euro no que toca à contração sofrida, só à frente da Espanha, França e Itália, os países mais gravemente afetados.
O desemprego é também um indicador que vale a pena ter em consideração nesta análise, e nesse seguimento, de acordo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), no final do mês de julho encontravam-se registados 407.302 desempregados, um aumento de 37% face ao mesmo período de 2019.